quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

centro cultural são paulo - eurico lopes e luis telles














Primeira vez consciente que fui ao centro cultural são paulo.
Quando entrei, pensei 'por que meu pai nunca me levou aqui?', mas diz ele que já fui. O motivo da minha indignação foi porque eu fiquei deslumbrada com o lugar, as relações de claro e escuro, as diferentes escalas do ambiente, a rampa que te leva para todo o espaço interno e pra cobertura. Muitos espaços de qualidade e, cheio de gente. Desperta uma vontade de sempre voltar, de viver cada espaço como se fizesse parte daquilo. O que não é difícil, pois o edifício te insere na dinâmica de modo natural. Além de exposições bacanas, como a Post-it city com diversos eventos efêmeros de diferentes cidades, países.
























sesc [fábrica] pompéia - lina

Há um tempo atrás, o SESC mais perto de onde eu morava. Incrustado na Lapa, foi segundo minha mãe meu passeio infantil de domingo. Vagamente me recordo de me sentir mínima diante da escala da fábrica em 1990 e poucos.

Há uma dinâmica de qualidade no espaço do SESC Pompéia de Dona Lina. Tanto a escala humana, quanto a arquitetônica são relevantes. É possível notar os usos pelas idades mais diversas, dos vovôs jogando no tabuleiro com direito á boneco sentado sozinho, morrendo de vontade de ter vida, de figurante; das crianças de alguma escola correndo e gritando, sonoramente, no deck de madeira ou na “praia paulistana”. Umas das exposições mais bacanas que fui, aOmbresetlumieres [sombra e luz], ilustra sem deixar de lado a diversão, provocando a curiosidade, e a interação direta e indireta, toda a discussão das projeções por meio das mídias. Acho que despertou ou aflorou muitas crianças por lá.

Rigor? Pode ser, mas também vejo muito vigor nisso tudo.
































praça victor civita - adriana levisky e anna julia dietzsch


















copan - oscar niemeyer
































O COPAN é uma cidade, vertical lógico. O síndico, seu prefeito. A vontade é de fazer as malas e mudar pra lá. Exagero! É relevante a vista, tanto dos apartamentos, quanto da cobertura, a divisão entre área íntima e social por meio do mobiliário, as diferentes tipologias, a área comercial que ajuda o edifício a respirar, e o marco que o configurou na redondeza.





teatro oficina - lina bo e edson elito

"Quando iniciamos o projeto e durante toda a sua concepção, Lina e eu procuramos concretizar as propostas cênica e espacial de Zé Celso. Houve um saudável, por vezes complexo, processo de integração de diferenças culturais e estéticas: de um lado nos arquitetos e nossa formação modernista, os conceitos de limpeza formal, pureza de elementos, less is more, racionalismo construtivo asceticismo e do outro, o teatro de Zé Celso, com o simbolismo, a iconoclastia, o barroco, a antropofagia, o sentido, a emoção, e o desejo de contato físico entre atores e platéia, o "te-ato"." (ELITO)

Segunda vez que vou ao teatro oficina. Primeira de noite e que eu assisto a uma peça - Cacilda!! - e, vejo todo o projeto acontecendo, fluindo, as aberturas, a passarela que se configura como palco. Os personagens surgindo e desaparecendo pelas cortinas, escadas, alçapões, e a gentileza com o público de deixá-lo sentir o gosto de descobrir o espaço pelas emoções. A foto acima é de quando eu o conheci.

masp - lina bo











Como o centro cultural SP, o MASP não se esconde. Qualquer um que passe pela Paulista, seja na calçada logo abaixo do grande vão ou na de frente ao Parque Trianon, nota o edifício horizontalizado com seus nada tímidos 4 apoios, hoje vermelhos. Seja pela escala, pela cor ou por se configurar como um “strano” no mar quase cheio de mesmices verticais.

mube - mendes da rocha

Um projeto que se revela com o caminhar do pedestre devido à topografia em declive.

parque do ibirapuera - oscar




imagens [d]escritas

Desde que saí, cada vez que volto, a cidade nunca está igual. Sempre mudando. Efêmera. Não poderia ser diferente. É uma característica saudável. Tentar mudar e melhorar ou até piorar. É um desenrolar urbano.

Minha vivência foi de descoberta, mas também de reconhecimento. Do caos no metrô em horário de pico, ao generoso jardim da Mina Klabin na casa modernista, passando pelo edifício-ateliê-biblioteca-papelaria-lanchonete-convívio da FAUUSP, pela paulista com suas generosas calçadas, presença do MASP, da FIESP, do Conjunto Nacional, pelo talvez ¨escondido¨injustamente Centro Cultural SP, pela parada obrigatória na Pinacoteca, Mercadão, Parque da Luz, pelo desacanhado Oficina, pelo SESC com vigor especial da Pompéia, pela vista do e para o COPAN, pela marquise que passeia pelo Parque do Ibirapuera, pelo novo uso do ex-Carandiru, agora Parque da Juventude, pelo caminho suspenso do solo devido à contaminação, hortas, apropriação da terceira idade da Praça Victor Civita, pela separação público e privado dada com o desnível do solo na Casa do Paulo Mendes no Butantã, pela rua Augusta com seu poder de atração inexplicável, por esses e por outros que despertam a atenção, a vontade de voltar, um olhar mais atento e curioso aos porquês.